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Rochele Zandavalli  |  Porto Alegre, RS

Todos esses novos adoradores do sol

O projeto, finalizado em 2018, foi criado a partir de um conjunto de imagens fotográficas analógicas em peto e branco, colorizadas manualmente com aquarelas. Além da série fotográfica, o projeto conta com um filme em superoito e um fotolivro. Ao experimentar nova postura perceptiva, um ser busca unir-se ao sagrado universal que emana da natureza. Deslocando-se no espaço e no tempo em um movimento orquestrado pelas forças naturais, cruza sem receios pelo portal em que todos os limites se diluem, suas impressões se fundem, as hierarquias e convicções inexistem, e a sensação de pertencimento o preenche. Em seu viés performático e ficcional, essa série é uma alegoria neopaganista do retorno à natureza, após um período de enfraquecimento do espírito transtornado pelo artifício. A dissolução entre efêmero e eterno, simulacro e experiência, desejo e consumo, vida e morte, são operações aqui envolvidas. Através da metáfora da lupa, um dispositivo que num primeiro momento estabelece uma fronteira artificial de aproximação com o entorno, um homem se reaproxima do natural. A lupa funciona aqui como uma metalinguagem do ato fotográfico e do processo de filtragem como etapa necessária a esse despertar. É quase contraditório, mas o aparato óptico aprimora a observação, e passa a ser um instrumento de religação com o universo. O filme exemplifica em cenas como o sonho (personagem deita, dorme e acorda em outro lugar), e o cruzamento pelo portal florido, a busca pela diluição das fronteiras. O filme busca comentar sobre sabedoria coletiva e um saber do corpo que “nos permite pensar as tecnologias como arqueólogos do presente. A narrativa propõe uma fuga subjetiva do absoluto controle sobre as nossas existências e da fragmentação da experiência comum. A relação com a fronteira é evidente pois a série propõe em seu andamento a “quebra de parâmetros estéticos que não nos cabem mais. Busco, a partir do viés experimental e alto nível de subjetivação, criar subversões e insurgências estéticas. Tanto no vídeo quanto no conjunto de fotografias pintadas à mão com aquarelas, busco expandir fronteiras técnicas e estilísticas.