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Pedro Amorim de Souza  |  Rio de Janeiro, RJ

Os Muros e a Terra

Qual a função de uma fronteira na contemporaneidade? e que fronteiras são essas que experimentamos no século XXI? seriam apenas físicas? O ensaio sobre o cotidiano do Movimento dos Sem-Terra na zona da mata mineira talvez sirva como ponto de partida para pensarmos nessas questões. Mais que fronteiras físicas - aquelas da demarcação desigual de terras -, o MST se depara, desde sua criação, com as fronteiras imaginárias, aquelas da percepção. Os preconceitos, ataques públicos e violências físicas ou simbólicas contra seus membros muito dizem sobre as paredes invisíveis, aquelas que nos afastam dos outros, encastelando-nos ao redor de velhas certezas. As fotografias apresentadas oferecem uma outra visão. Uma visão do banal, da aproximação entre as diversas vidas em trânsito, dentro e fora do Movimento – vidas no campo. A luta de integrantes está nos detalhes, nos afetos e nos dias que passam na terra, lutas muito próximas às de outros camponeses. Se para Achille Mbembe “a raison d’être da fronteira se relaciona a questões¬-chave como: a quem pertence a terra?”, poderíamos nos perguntar também a razão de ser das fronteiras simbólicas, aquelas que não nos deixam ver o que as fotografias mostram?