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Marcio Menasce  |  Rio de Janeiro, RJ

O que doeu, hoje é dormente

Ao acordar logo após um sonho, ainda temos no corpo as sensações recém experimentadas. O sonho transforma o desejo em imagem. Mas em que tempo e lugar se passaram aquelas histórias sentidas com tanto realismo? É impossível determinar. Por alguns segundos, antes da torrente da consciência e do cotidiano nos inundar por inteiro, vagamos entre a certeza da experiência e a dúvida sobre a natureza das imagens. A fronteira entre as imagens do sonho e da memória é borrada, embaçada, confusa. Sonho e fotografia são produtos de um mesmo mecanismo. Neles, “o real se distancia até se tornar intangível, enquanto a imagem assume a dupla e paradoxal função de mostrá-lo e escondê-lo ao mesmo tempo”, afirma Tânia Rivera. A série “O que doeu, hoje é dormente”, acontece em meio à névoa das fronteiras embaçadas entre ficção e realidade, entregando ao espectador uma narrativa que transita entre a suposta fidelidade do registro fotográfico e a apresentação de desejos e sensações por meio de experiências imaginadas.