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Andre Arruda  |  Rio de Janeiro, RJ

Fortia Femina - Aceitação e Preconceito

Retratos de atletas femininas do fisiculturismo. Fortia Femina é um projeto em andamento sobre a beleza e a anatomia do corpo feminino resultante do extremo da hipertrofia do fisiculturismo. A produção das fotos começou em 2004. O fisiculturismo, em suas diversas modalidades femininas, é o único esporte, análogo as modalidades masculinas, em que o corpo atinge o crescimento muscular pela pura intenção da imagem, e não como resultado de esforço, como ocorre no atletismo e em esportes de alta intensidade. A instrumentalização do corpo tendo como meta apenas a própria imagem em constante diálogo com a representação, seja no espelho e cada vez mais mediada pelas redes sociais. Inicialmente praticado apenas por homens e oficialmente homologado em 1940, somente no fim dos anos 70 as mulheres começaram a modificar o corpo no extremo da musculação, numa manifestação resultante do crescente protagonismo feminino no ocidente. Esta atleta, porém, enfrenta um paradoxo sobre a plenitude decisória sobre o próprio corpo: a busca da aceitação pela praxis da imagem - o espelho é o seu principal aferidor de desempenho - e o preconceito, maior do que o enfrentado por travestis e transsexuais de origem masculina, sendo a instrumentalização do feminino com significantes masculinos, o antagonismo com a associação comum da mulher a conceitos complementares como fragilidade. As fronteiras entre os signos masculinos e femininos, independente da questão de gênero e orientação, são interseccionais no fisiculturismo feminino. A questão do limite comportamental é transcendida pelo prazer da transformação e pelo desafio da superação, amparada pela autonomia e satisfação da modificação do próprio corpo.