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Ana Sabiá  |  Florianópolis, SC

INTERSTÍCIOS

Raias aquosas, demarcações fluídas, confins hidrográficos. Águas em seu infinito ciclo hidrológico entre terra e céu, suas vazantes fluviais ou correntes marítimas influenciadas pelos astros, sua constância resiliente ou avassaladora que esburaca rochas, são apropriadas e disputadas tornado-se fronteiriças, territorializadas, balizas demarcadas e vigiadas contra aqueles que podem ou não atravessá-las. Um interstício entre a salvação e a perdição é companhia dos náufragos, migrantes esperançosos ou em forçosa diáspora para além das garrafas com mensagens boiantes e dos falidos botes infláveis de sonhos e pesadelos que foram morar no fundo do mar. O limiar entre a terra firme e o oceano abissal também consiste no estofo humano e na busca cotidiana em como ser e estar no mundo em eterno rearranjo e mutação. Labutamos diariamente, tantas vezes contra a maré, na divisa entre a morte e a vida, tanto concreta e física, quanto nas infinitas possibilidades de escolha que temos em estar de um lado ou outro dessas fronteiras.