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Ana Dalloz  |  Rio de Janeiro, RJ

Te extraño

Há exatos 10 anos embarquei para o México para a minha primeira residência artística no Programa de Residencias Artísticas para Creadores de Iberoamérica y de Haití en México, proposta pelos governos mexicano e espanhol, com duração de 4 meses. Nas muitas viagens que fiz pelo Estado de Oaxaca, um Estado com forte presença indígena, fui cruzando com pessoas incríveis, que no tempo de uma foto, me contavam um pouco das suas vidas. A série Te extraño começou a partir do encontro com Teresa, uma senhora tímida, mas com uma força pela vida invejável. Quando a vi, senti uma espécie de saudade e mistério. Talvez seja por isso que não me canso de olhá-la. A cada novo flerte procuro ouvir em silêncio um pouco mais de suas histórias e tento desvendar o seu olhar, que paira sobre mim, como se nós ainda estivéssemos uma de frente para a outra numa tarde mexicana. Imagino o que ela carrega em seu bolso direito e apesar de saber, gosto sempre de pensar que ali pode conter um mundo infinito de possibilidades. Extrañar em espanhol é sentir a falta de alguém, é sentir melancolia e saudade. Já em português, é deparar-se com o desconhecido. Nunca uma palavra me pareceu ser tão complementar, mesmo em duas línguas diferentes. Essa composição foi a tradução para o que eu sentia: cruzar com pessoas desconhecidas, querer conhecê-las mais a fundo, mas ter a plena consciência - por estado de trânsito em que eu estava - que eu nunca mais as veria. Te extraño, então, trata sobre os encontros mediados pela fotografia, dos pontos de contato entre diferentes gerações e culturas, de encontros efêmeros, mas eternizados.