Larissa Brum  |  Itararé, SP

Por que nossos corpos deveriam terminar na pele?

Através do ritual de fragmentação de espelhos, surgem os elementos para a realização dos experimentos nº02 e nº03, bem como, suas derivações apresentadas aqui (parte da série intitulada “Por que nossos corpos deveriam terminar na pele?”). Num primeiro momento, espelhos estilhaçados tornam-se máscara, uma nova extensão do meu corpo. Compondo, desse modo, o “eu-pele” relacionando exterior e interior. Esse caráter mágico do objeto traz, aqui, a possibilidade de um novo olhar sobre si, fragmentos de uma imagem que persiste – reflexos meus, os espaços de pele entre os cacos –, fragmentos da memória daquilo que poderia ser visto; as imagens que refletem no espelho e o olhar de quem o observa, mediado pelo olhar da câmera. Ao se tornar máscara, o espelho muda de forma e conteúdo, escondendo aquilo que costuma refletir. Na sequência, faço a lavagem das mãos em reflexos rotos: o da água e o do próprio espelho. O que se reflete quando parte do corpo é fundido na imanência do perigo do corte presente na ação?