Alessandro Celante  |  Jundiaí, SP

Máscaras impermanentes

“Aos mortos que ainda vivem e podem ser despertados”. Projeto que nascera em 2015 sob a forma de uma monografia de pós-graduação no SENAC-SP LAPA, se materializou em uma exposição no mesmo ano, como parte integrante da XII Bienal Internacional de Artes de Havana – Colateral – 2015, ganhou corpo e se consolidou em diferentes ações junto a inusitados espaços expositivos, em uma proposição de diálogos polifônicos entre novos vetores. Usando a morte como metáfora às perdas perceptivas que o mundo contemporâneo nos impõe e a fotografia como linguagem de interlocução, o projeto “Máscaras Impermanentes” propõe uma experiência estética imersiva que começa na captação das imagens, quando os fotografados se deitam em uma pequena piscina com água e gelo seco, quando seus sentidos são postos à prova em uma situação que, metaforicamente configura um “boot” perceptivo (O tato comprometido pela temperatura, a audição tamponada pela água, a visão interrompida pelo fechar dos olhos, o paladar e o olfato suplantados pela necessidade única de respirar), e pela proposta de ação expositiva, quando o espaço se reconfigura e uma nova imersão é proposta aos expectadores. A experimentação das “máscaras impermanentes”, que consiste dentre outras coisas, na construção de máscaras mortuárias de pessoas vivas, se efetiva na colocação do expectador em contato com a representação da morte e faz um contraponto ao papel da fotografia e sua noção de objetividade. A afirmação e a presentificação da vida nessa obra, se dá pela experiência sensorial com a fotografia de uma forma expandida, tanto em seu processo de captação quanto nas diferentes adaptações e ações expositivas. Hoje conto com 300 máscaras, ou 300 pessoa passaram peexperiência imersiva