Nestor Varela Junior  |  ITAJAI, SC

o visível-invisível

o meu corpo é espelho para o meu corpo, ele comporta segmentos extraídos dele próprio. “o espelho aparece porque eu sou vidente-visível, porque há uma reflexividade do sensível; ele a traduz e reduplica. [...] o fantasma do espelho arrasta para fora minha carne, e, do mesmo passo, todo o invisível de meu corpo pode investir nos outros corpos que vejo.” ¹ a carne viaja pelos prismas, entra pelo espelho e torna-se um fenômeno plural. o espelho transforma a experiência em espetáculo, múltiplos nestores se estilhaçam sobre a superfície mágica de reflexão. meu corpo se transforma em outros, outros corpos que são o mesmo. o meu exterior se completa, tudo o que tenho de mais secreto é refletido e refratado no espaço. o corpo existe, mesmo no escuro, a luz é que o denúncia. o caminho luminoso quebra-se em partes. rebate no corpo, que reflete no espelho, que rebate e reflete no espelho do olho do corpo e perpassa pelo corpo/objeto opaco da câmera até irradiar o sensor em códigos imagéticos. as imagens existem entre o positivo e o negativo, o que uma face esconde, a outra condena. é preciso olhar com olhos atentos, o reflexo do que se vê, pode não ser bem aquilo que parece. ¹ merleau-ponty, m., o olho e o espírito, cosac naify, 2004.