Thiago Guimarães Azevedo  |  BELEM, PA

Reflexos da vida

O foco desse projeto é trabalhar com o cotidiano da Reserva Extrativista Mãe Grande de Curuçá-PA, levando em consideração as águas dos rios e suas marés como foco dessa vida que pulsa e cria vida, seja de forma poética, ou de forma pragmática. Essas águas representam esse universo duplo, entre vida prática, daquela que está no transporte, no trabalho e da sobrevivência e a poética, que habitam os mitos, encantados, lendas, poesia e possui um ritmo próprio que é um misto entre o relógio e o devaneio. O que é esse reflexo que incide sobre a mata? E essas águas que ora são movimento, ora repouso espelhado? Há um quê de mistério, um misto de sublime e encanto. Universo dos seres míticos que se misturam com a vida prática. A canoa flui sobre às águas e abraçada pela mata misteriosa, em seu fluxo de ir e vir, a vida se desenha sobre esse lugar. Uma pintura que mistura romantismo e impressionismo, de um cotidiano escondido aos olhos da modernidade anestesiante. Que luz é essa que reflete sobre tanta vida? Crianças fazem dessas águas seu lugar de inocência, onde exibem suas traquinagens. Nesse mundo mágico, não se sabe o que é terra, céu e mar. Seguem fundidos numa espécie de sfumato de poesia e vida prática. O pragmatismo do dia-a-dia, da sobrevivência, das dificuldades que marcam os semblantes e as mãos. Uma conversa à beira do rio, na casa-barco. Sobre o que falam? O que sonham? Essas águas que ora refletem, oram turvam. Representam a marca do tempo e da vida que se molda escondida da pressa dos grandes centros. Não está isolada do mundo moderno, mas aprendeu a co-existir com ele. O reflexo é um paradoxo, pois a imagem que se projeta nunca é total e quem projeta sua imagem nunca está estático. Essa relação pode ser vista tal qual ‘Alice no país dos espelhos’, de um lado, o mundo que vivo e do outro, o mundo que sinto...