Virgilio Neves  |  São Paulo, SP

Supernovas

Como artista visual, sempre acreditei que as linhas tem o poder de trazer uma espécie de volatilidade às formas. Explorei isso em 2015 e 2016 numa série de pinturas, que resultaram na mostra Volatilismos, minha segunda individual em São Paulo. A pandemia e o confinamento me levaram a novas pesquisas em outras linguagens. Uma delas foi a fotografia. Confinado dentro do meu apartamento, passei a prestar mais atenção na luz que era filtrada por uma porta de vidro texturizada de um dos cômodos da casa. O efeito provocava uma espécie de fragmentação de minúsculas partículas luminosas que pareciam se expandir no espaço. Logo percebi que ali havia um potencial a ser explorado. Aquilo não era apenas um processo físico de reflexão da luz. Mas o início de uma reflexão interna sobre todos os limites que a pandemia nos impunha - e isso incluía minha própria poética. O momento passou a se refletir no meu próprio trabalho. Passei a fotografar essa placa de vidro, colocando no vidro diversos tipos de materiais como anteparo, o que acabou gerando imagens com áreas de diferentes intensidades de luz e cores. O trabalho ganhou ainda mais força quando passei a sobrepô-las e a manipulá-las digitalmente. Dei a essa série o nome de Supernovas, uma alusão às estrelas que alcançam seu brilho máximo antes de desaparecerem. A série acaba sendo também uma metáfora do presente, quando somos chamados a refletir sobre uma sociedade caótica, desordenada e cada vez mais volátil.