Artur Lahoz  |  Belo Horizonte, MG

Algo Que Se Perdeu Na Vista Colorida

Existem ao longo da modernidade estética e até hoje, tendências temáticas. Dentre elas, a nostalgia pode ser citada como uma das mais recorrentes em manifestações intimistas e mundanas no campo da arte e da comunicação. E embora existam artifícios em obras que abusam da abordagem e caiam no arquétipo melancólico, a nostalgia pode ser uma tradução da discordância da mediocridade do presente e da busca continua pela possibilidade de uma experiência numa condição cuja principal marca é seu desprovimento. Se o nostálgico recusa o presente, é porque procura no passado por algo que seja melhor, mais interessante. Afinal, se existe uma busca constante no homem, essa seria por vivências, cada vez mais raras e medíocres mediante à centralidade da mercadoria do mundo moderno ao qual somos inseridos. Nesse cenário, o que sobra é a rotina, antônimo de experiências verdadeiras, o pilar do sistema anti-vida. Mas afinal, existira uma época na qual experiências significativas eram realmente possíveis? Não há em meu pensamento qualquer ilusão de utopia passada, ou qualquer anseio pelo retorno aos tempos idos, apenas o anseio perpetuo de escapismo da rotina, de ressignificação daquilo que passou. Nessa incessante busca por sentido que encontro conforto na imagem, nos fragmentos de dias passados, sempre abertos à ressignificação. Possuo uma câmera porque prefiro expor e lembrar do passado do meu próprio jeito. Todas as fotos do projeto fazem parte de uma pesquisa ainda em andamento que envolve o resgate de filmes slide (Ektachrome) vencidos há 30/40 anos. Todass passaram pelo processo de revelação invertida (tipo C-41) para gerar novas texturas e cores.