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Luciana Nabuco de Oliveira  |  Rio de Janeiro, RJ

Yaôs - Iniciadas

Yaôs Na roda circular Deuses estão presentes através das batidas pulsantes dos corações das mulheres Yaôs. Em 2012 estive no Benin com minha querida Iyalorixá Martha de Oxoguian, e antes de me perceber Yaô acompanhei a dança dos deuses que transmitem o Axé, força primordial de energia em um delicado e vibrante contato invisível com a humanidade. A preparação para o Xirê, momento de transe e abertura de portais sensíveis é igualmente uma dança. Pés, mãos, bocas, olhares foram sendo registrados como um presente para mim. Naquele momento antecipava-se a minha feitura em uma casa na Baixada Fluminense de matriz africana de origem keto. Um ano depois estaria em outra roda circular, abrindo fronteiras de comunicação com a ancestralidade como Yaô. Yaô é o título que se dá para o iniciado no culto de matriz africana. Através dessa iniciação que se faz com ritos, recolhimento, se renasce. É um estado de individuação e compreensão de sua marca ancestral e possibilidade de realização. É a comunicação invisível entre mundos. As fotos das mulheres do Benin, na região de Savalu ainda reverberam em mim. Provavelmente ainda teria muito o que ler através desses mundos. O Axé é a comunicação que foi plantada no Brasil. É o assentamento dessa ancestralidade que nós, descendentes da diáspora recebemos mas que nem sempre sabemos como despertá-lo. O Axé é a comunicação entre tempos e terras distantes plantadas nos Oris, nas cabeças das Yaôs que dançam com os deuses para o eterno renascer da memória da humanidade.