Hiram Azevedo  |  Juiz de Fora, MG

Constelações Asfálticas

Constelações Asfálticas. By Hiram Azevedo Em um passado longínquo a vida era impossível sobre a Terra. O ar saturado de dióxido de carbono não permitia a vida, contudo alguns protos vegetais maravilhosamente evoluíram absorvendo o dióxido e tudo mais que havia em suspensão. O ar límpido e translucido permitiu a luz tocar o solo e com o advento da fotossíntese musgos, liquens, samambaias, plantas rasteiras gigantescas arvores cobriram toda superfície possível da Terra e dela como alimento brotaram mais e mais. Eram tempos de colossais transformações, as rochas sofriam choques, se pulverizavam , se fundiam enquanto ajeitavam-se na superfície criando sob si bolsões com o resto das primeiras vidas no planeta e com elas mantinham aprisionado sob o solo o dióxido de carbono que elas retiram da atmosfera no inicio de tudo. Passados alguns milhares de anos o reflexo desse passado cavernoso foi reencontrado e chamado o petróleo. Rapidamente o óleo da pedra e seus derivados tornaram-se onipresente entre a humanidade. Com inúmeros tipos de refinamento, virou a matéria plástica capaz de assumir a forma de qualquer coisa utilizável ou mesmo inútil. Virou o combustível que, como qualquer plástico, com sua queima devolve ao ar o dióxido de carbono que as plantas primordiais enterradas haviam guardado. O asfalto é resultado da refinação bruta do petróleo assim como é o betume e foi em uma placa de peltre recoberta com betume e exposta a luz que por volta de 1826 Niépce conseguiu imprimi o primeiro reflexo de um tempo. A primeira fotografia surgiu do petróleo e nela a imagem percebida é um reflexo do passado. É impossível a uma fotografia mostrar o presente. Nas imagens do chão asfáltico deste serie estão visíveis os reflexos do inicio da vida que em momento futuro refletirão uma época diante dos olhos daqueles que ainda nem nasceram. Sugiro a apresentação ao publico através 30 de ampliações 50x75.