EDILTON SOARES DA SILVA JUNIOR  |  Teotônio Vilela, AL

Projeções da memória

Trata-se de um trabalho de enaltecimento e preservação dos valores afro-brasileiros, reverenciando os feitios artesanais que ultrapassam gerações, buscando transmitir o pertencimento de indivíduos dos Remanescentes Quilombos Abobreiras e Birros em contato com objetos refletores de suas ancestralidades, dando ênfase nas redes artesanais ligadas ao cotidiano das famílias dessas regiões. Ao conhecer os dois grupos, pude perceber o valor de suas produções para o imaginário social de ambas as comunidades, embora moradores mais velhos relatem que muitas técnicas já foram perdidas decorrente ao falecimento de seus entes e que atualmente com a grande adesão às tecnologias contemporâneas, as novas gerações têm demonstrado menos interesse em aprender estes ofícios. Diante à vulnerabilidade exposta pelos populares, observei a presença das redes na maioria das casas, assumindo diferentes formas e funções, atribuídas às mais diversas atividades, sendo uma ligação entre os corpos sociais. O que me possibilitou enxergar essas malhas fabricadas manualmente como uma teia de intercâmbios entre estes povos, um símbolo do saber popular e do conjunto de suas relações, capaz de refletir imagens reais e tradições ascendentes que precisam permanecer entrelaçadas e fortes, bem como os fios tecidos pelos artesãos, que ao projetar-se nos mais novos, promove representatividade, mantendo vivos os costumes, mesmo em tempos difíceis como os que enfrentamos. Desta forma, trago algumas das projeções que pude registrar em contato com essas redes identitárias no ano de 2021, visando trazer mais visibilidade aos quilombos brasileiros, salientando a importância dos reflexos ancestrais para a manutenção de culturas e democratização da história do Brasil.