Françoise de Lima Cerqueira  |  Duque de Caxias , RJ

O sentido que habita os detalhes

A pandemia nos levou a uma intensa constatação da fragilidade da vida. Sua ocorrência se deu num tempo caracterizado pela liquidez, onde a pressa é um elemento marcante. O mundo contemporâneo produz e é produzido por pessoas apressadas, ansiosas, que não tem tempo para mergulhar fundo nas coisas, nem de dar o devido valor a elas. Pessoas que passam correndo pela vida e esquecem de apreciar os detalhes. O mundo corria, e de repente, ele parou. As fragilidades ficaram em evidência. E fomos obrigados a prestar atenção no que realmente importa. As fotos selecionadas resgatam o reflexo de um universo que só é possível observar quando desaceleramos. Quando diminuímos o ritmo torna-se mais fácil captar os detalhes, que é onde habitam as significâncias. Dessa forma, estímulos sensoriais como o orvalho que escorre sobre uma folha, o vento que sopra sobre uma árvore numa noite estrelada, a lua e um breve contato com animais em meio à correria, pode dar sentido ao nosso dia. Os detalhes nos conduz a uma consciência de presença que é essencial para que não percamos a conexão vital. Baseando-se no contexto atual, trago uma reflexão sobre “o mundo que ficou do lado de fora”, através de elementos que se situam ao ar livre. Lembremos da natureza em seus detalhes, e do quanto já estávamos desconectados com a mesma antes mesmo de viver em quarentena.