Priscila Beal  |  São José do Rio Preto, SP

Espelhos Internos

O que reflete o espelho? A verdade, a sinceridade, o medo, a insegurança. A vaidade. Tudo aquilo que contém o coração e a consciência. Refletir, por sua vez, significa meios para dobrar – para trás, para frente, em torno de, e por quê não por dentro? –, sugerindo uma ligação. E, agora, nos mantemos conectados em isolamento, distantes do que costumava ser a nossa realidade. Enxergar o próprio reflexo nunca foi tão denso. Enfrentar o próprio reflexo é também um ato de entrega. ​ Em uma brusca ruptura, fomos forçados a nos acolher em nossa solidão, tateando o desconhecido, mobiliando as nossas angústias, ocupando espaços tão pouco habitados, resvalando nos extremos. Sempre, nunca, longe, perto, tudo, nada, cheio, vazio, interior, exterior, consciência, inconsciência, certo, errado. Redescobrimos a nossa individualidade e passamos a refletir o nosso espelho interno, com simetrias e incongruências. ​ Esta série de fotografias propõe o enlevo do Eu – único e ao mesmo tempo universal – de maneira crescente, apontando desdobramentos do ser, criando novas imagens e mostrando que sempre somos mais do que pensávamos ser. Para ver, é preciso ter olhos de encantamento, costurar o tempo com o fio da intimidade, afagar a memória. Os reflexos, aqui, vão se multiplicando até formarem mandalas, que simbolizam o Universo, a completude; representações simbólicas da totalidade, da psique, da relação entre o ser humano e a natureza. --- ​ “A mandala serve a um propósito conservador — isto é, restabelece uma ordem preexistente; mas serve também ao propósito criador de dar forma e expressão a alguma coisa que ainda não existe, algo de novo e único” “A contemplação de uma mandala deve trazer paz interior, uma sensação de que a vida voltou a encontrar a sua ordem e o seu significado”. (Trechos do livro “O Homem e seus Símbolos”; concepção e organização de Carl G. Jung).