Ronald Munk  |  Rio de Janeiro, RJ

Isolados, no mesmo barco

Esse trabalho foi desenvolvido este ano olhando para a cidade através de janelas. No Rio onde moro e em São Paulo onde nasceu uma neta durante o confinamento. Me servi desta série de fotografias para entender melhor minhas emoções, angústias e pensamentos. As fotos imprimem minhas dores e também revelam minhas esperanças. O reflexo das luzes da cidade resiste ao usual frenesi urbano por ora suspenso. O medo do convívio, expondo e exacerbando a solidão, o vácuo do amor latente, a espera para escapar do que me parece ser um buraco negro. As perdas e o silêncio me sufocam e me angustiam. Registro linhas desconexas como a expressão do desencontro, do isolamento, que nos faz chorar nossas dores separados, apesar de estarmos todos juntos, juntos no mesmo barco. O tímido brilho das cores pontua o cenário obscuro e ascende uma faísca de esperança, buscando vencer o aprisionamento de um cotidiano imposto e sombrio. A benção do redentor ao longe transforma-se em anseio que me parece quase inatingível. Paira no ar a fé para reconectar, refazer, reconstruir.