Jaqueline Lima Pereira  |  Fortaleza, CE

Basquetada

Há alguns anos, venho pesquisando e registrando a manifestação cultural e religiosa da comunidade ribeirinho “Luiz do Cajueiro”. O lugar é pequeno, tem cerca de dez casas e todos pertencem à mesma família. Além de se encontrar às margens do rio Cocó, a comunidade também se encontra às margens da própria cidade de Fortaleza, já que esse rio é um dos limites da cidade, fronteira entre a urbanidade e a natureza. Uma das principais atividades desenvolvida é a “basquetada”, um tipo de pesca artesanal e, mais que isso, é uma celebração tradicional entre pescadores e familiares. Sabemos que uma das formas mais primitivas de organização social do ser humano são as “maltas de caça”, em que os caçadores se organizavam para a obtenção do alimento, dividindo tarefas e, ao final, compartilhado a refeição. Essas práticas milenares se atualizam através da realização da basquetada, revelando aspectos ancestrais e ritualísticos tanto na relação dos jovens entre si durante a pesca e preparo do alimento, como na relação entre eles e a natureza, importante observar que essas práticas vem se potencializado, reflexo do atual contexto politico em que estamos vivendo. Agora não mais para preservar a tradição, mas por sobrevivência.