Isabela Soares   |  Teresina-PI., PI

A flor espectral: reflexos literários

“Ela queria aparecer no esplendor de sua beleza”. Antoine de Saint-Exupéry narra o surgimento de um enorme botão que instigou reflexões ao pequeno príncipe, diante da vaidade de uma flor : “As flores são tão contraditórias! Mas eu era jovem demais para saber amá-la”. Essa passagem me levou à profundas reflexões, enquanto eu observava no quintal da minha avó, os espectros visíveis refletidos nas flores. "Espectral" - assim chamei a flor que carrega em si, espectros também invisíveis que fazem parte da sua essência. Ela sabe ser poesia em sua própria existência. Permanece vibrante e energética, mas com a consciência de que é delicada e mortal. E ainda assim, ciente de todo fim, fala de eternidade. Sinestesicamente, eu senti um ar mágico que liga toda a natureza. Nesta perspectiva, a iconografia do meu trabalho é marcada por uma aura mística, encantada, fantasiosa, carregada por reflexos de diferentes espectros, que simbolizam o eu lírico expansivo da natureza. Algumas imagens se dissolvem entre o real e o abstrato, entre cores contrastantes e complementares; que narram de forma poética e expressiva, o encanto que abraça a origem, a juventude e o perecimento de um ser. Cada etapa é um desafio, até mesmo para própria flor : “é preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem virá visitar-me?”. É preciso, então, ter consciência de si e dos contratempos da vida para alcançar o êxito. Afinal, a vida é breve. O pequeno príncipe preocupou-se quando descobriu que as flores são efêmeras. O momento de vida atual nos mostra : somos tão efêmeros quanto as flores. É preciso preservar a magnitude da existência “e nenhuma pessoa grande jamais entenderá que isso possa ter tanta importância”.