Luiza Valente   |  Rio de Janeiro, RJ

A artista é a obra e vice-versa

O trabalho propõe a fotografia como reflexo da ação poética gerando uma modalidade autônoma de expressão, a fotoperformance. Meio de registro que não objetiva abarcar em um resultado totalizante a ação performática, mas sim, alcançar características particulares em uma linguagem híbrida. O ato performático é abordado como símbolo da subjetivação e as capturas das imagens como registro de multiplicidades. A ação de performar uma sequência de configurações corporais, num determinado cenário, enquanto são registradas pela câmera, se apresenta como prática de escrita corporificada. Portanto, confere-se ao corpo qualidade de símbolo mutável que é capaz de encarnar diferentes significados. Já o público, é instigado a ocupar o papel de leitor de uma narrativa escrita em linguagem corporal, aberta à interpretação. A sequência de fotos mostra diferentes imagens, resultantes da experiencia pela materialidade corpórea, simbolizando identidades transitórias que compõem uma subjetividade. O sujeito, que reflete aspectos da realidade na qual está inserido, se transforma e gera reflexos em seu meio através de suas ações. A temática proposta emerge de inquietações a respeito da relação mútua entre cultura e corpo. Propondo a corporeidade artística, paradoxal e simultaneamente, como produto e questionadora do meio. A performer/fotógrafa ocupa um espaço com seu corpo no momento em que realiza a ação pensada para ser desenvolvida em frente à câmera, numa expressão artística própria do contexto contemporâneo. Possibilidade que conferiu algum grau de liberdade criadora à diversos artistas confinados em meio às restrições da crise humana e sanitária que vivemos.