Bruno Mitsuo Makia  |  São Paulo, SP

Janelas

A janela como elemento formal e poético não é algo novo dentro da nosso repertório visual e cultura imagética. Talvez uma história da arte ocidental pudesse ser contada tendo a presença das janelas como denominador comum entre as imagens de diferentes momentos históricos. Nesse sentido, o olhar atento para e através das janelas na arte poderia nos indicar muitas das questões, problematizações e mentalidades vigentes de cada época. E se na arte as janelas e o que vemos através delas podem nos dar indícios de uma forma específica de “se situar no mundo” impregnada com as mentalidades vigentes de cada período da história, o que as nossas janelas teriam a dizer sobre nós mesmos? Trago para este projeto de fotografia referências do campo da pintura, uma vez que sou formado no bacharelado em pintura pelo departamento de artes visuais da ECA-USP. Dessa forma, antes de ser fotógrafo, sou pintor. Foi primeiramente a pintura que me levou aos estudos das artes visuais e hoje ela ainda tem uma grande força na construção das imagens dos meus trabalhos e em minha pesquisa poética. Busco uma relação próxima com a pintura por meio dos desenhos das linhas de forças que estruturam as imagens, nos enquadramentos, na preocupação com as luminosidades, com as sombras e tratamentos das cores nas minhas fotografias. As imagens desta seleção também dialoga com fotógrafos contemporâneos que registram as janelas das cidades, cientes que as transformações impostas pelas forças atuantes nos espaço urbanos tendem a tornar, em um curto espaço de tempo, imagens poéticas em registros históricos documentais. Além das imagens das janelas em si, interessa-me a investigação dos caminhos da linguagem, centrada na metalinguagem inerente ao ato de se registrar e expor janelas, tanto na pintura como na fotografia, entendendo esse objeto final apresentado como uma nova janela em potencial.