WEBERTON SKEFF  |  Fortaleza, CE

SOBRE-NATURAIS

na tentativa de captura do ectoplasma da realidade, de reciclar as sobras simbólicas: fotografar. espelho do seu feitor, cada recorte é flagra dos restos e reflexos da irresponsabilidade humana consigo, com o outro, com o Todo. a depender da presença ou ausência de alma, classificamos: inanimado um objeto, animado um ser. seu desígnio é pelo semblante. aquilo que parece fantasma, que se disfarça em bicho, alga, coral. inocentes criações humanas que um dia foram um projeto de progresso e desenvolvimento. agora são o descarte, o que está fora do seu lugar, à deriva do tempo e da ordem natural do mundo. matérias-primas que de úteis passaram a aberrações, abominações. são assombrosos alienígenas fora do ciclo, polímeros abortados à própria sorte. SOBRE-NATURAIS. incômodas formas maleáveis que nem na mais complexa camuflagem são capazes de superar sua condição de não-evolução. são bandeiras, clamam a crise humana, pedem socorro, fazem o que podem - errantes - enquanto seguimos descartando, produzindo espectrofragmentos analógicos e reproduzindo a lógica automática imposta. transformando paisagens, alterando o que máquina alguma conseguiu até hoje fazer. firmando-se no inconsciente coletivo num sobre humano esforço de naturalização, os transitórios peregrinos do além vagam perturbando a utopia da memória, fabuloso paraíso realmente plástico, mas de natureza virtual. real é a vida. tangível. urgente. num planeta em que a memória é passado, as insólitas Partes ocupam toda brecha, inconvenientemente presentes.