Thais Gomes da Silva  |  São Paulo , SP

Escrevendo com a luz

A palavra fotografia vem do grego e é formada a partir da junção de dois elementos: phos ou photo, que significa “luz”, e graphein, que quer dizer “marcar”, “desenhar” ou “registrar”. E é isso que sempre fiz, sempre gostei de registrar os lugares por onde passei através da luz do momento. Antes - no tempo pré isolamento - gostava de registrar o sol nascendo no vidro de um prédio de São Paulo às 6 da manhã. As luzes dos escritórios no fim do expediente ou as de um teatro refletindo na escuridão da noite. O céu colorido em um fim de tarde no Ibirapuera. As minhas luzes preferidas são as de natal e aquelas que refletiram em meio a fumaça e a multidão na primeira vez que fui no show da minha banda preferida. Mas já faz algum tempo que a luz não reflete na multidão. Então, comecei a registrar as luzes do isolamento. O fim de tarde tomando sol na varanda em que a luz do sol reflete no meu cabelo deixando ele castanho. Agora há mais tempo para reparar, já percebeu como nos arco íris duplos a ordem das cores se inverte? O sol também ilumina a minúscula lua no céu. E, dependendo do ângulo, o céu parece mar. Tudo isso traz uma sensação de imensidão para a fragilidade da existência. Em meio a tantas reflexos eu também reflito, sobre o que foi e o que é, e sobre o que iremos registrar com as luzes do futuro.