Juliana Albuquerque  |  São Paulo, SP

A RUÍNA DOS OCASOS

"É preciso arrancar alegria ao futuro..." Maikóvski talvez possuisse o dom de desamargurar situções com sua poética, eis uma das belezas da arte. Essa proposta de fotografia de rua teve inicío em 2018, desde então tem atravessado minha experiêcia enquanto artista. Jornalista por formação, atriz desde muito nova e uma vibrante entusiasta da poética das imagens e do campo da performance. Durante um mestrado em Comunicação e Cultura (2018-2020) pela Universidade Federal de Goiás pude me aprofundar nas relações de tecnopóeticas enquanto influenciadoras de novas mensagens poéticas. Tenho encontrado na fissura da imagem e da situação performancial uma comunicação que avalio como reflexo afetivo de espaços e personagens. A cidade pulsa frente à uma pandemia global que ameaça e condena a existência de muitos. Os estilhaços no caminho demonstram a ruína. A ruína do quê? Tenho me perguntado a medida que fotografo esses espaços. A ruína dos ocasos reflete a decadência, tudo que é frágil quebra, os laços sociais enfraquecidos condenam a cidade, ela acabou?