Juliana Pereira  |  Porto Alegre, RS

Cotidiano onaiditoC

Utilizo a fotografia como ferramenta de investigação. Com a câmera, perco o medo do mundo e aflora essa curiosidade sobre a vida, sobre o como e o porquê das coisas e o quem sempre sou eu, mesmo que por vezes projetada em outro objeto de observação. Esse projeto acontece devido a uma insatisfação pelo que é visível. Pelo desejo de entender outras dimensões, na observação do cotidiano, vou colhendo oportunidades reflexivas, elaboro interposições de mundos para o meu deleite, por exemplo, trazendo uma floresta para dentro de uma sala, me tornando um manequim de vitrine, especulando sobre a vida privada de um casal, investigando a minha curiosidade através da observação da curiosidade de uma criança sobre o seu próprio reflexo. A dimensão do reflexo é sempre mais interessante na medida em que não é óbvia e ali estão pistas que apontam para outros universos imagéticos e imaginativos. O gosto pelo oculto, pelo não óbvio, pelo levemente bizarro, pelo inconsciente, pelo mágico, é sobre isso que é este projeto.