Marielen Baldissera  |  Porto Alegre, RS

A arte de Sangrar

Neste ensaio, autorretratos, fotografias urbanas e recortes de textos funcionam como ponto de partida para representar questões relacionadas à corporalidade feminina. Em “a arte de sangrar” trabalho com algo que pode ser considerado como abjeto: o sangue que vem da menstruação, da gestação, da violência e da vida. Para criar essas colagens digitais, parto de minhas experiências pessoais e de meu próprio corpo, e me vejo refletida em vivências corporais de outras mulheres, relacionadas a esse material líquido e viscoso. Sigo no fluxo de trabalhar com arquivo, colagem e apropriação, aplicando cores e elementos gráficos sobre minhas fotografias. Em decorrência da situação de pandemia e da impossibilidade de sair para as ruas para captar novas imagens, utilizo meu acervo pessoal de fotos realizadas em viagens e caminhadas, em diferentes temporalidades e locais. Esse resgate pode ser lido como algo do âmbito íntimo e do autoconhecimento, mas também reflete questões coletivas e sociais sobre o ser mulher. Falar do eu para falar do todo, em um movimento de retorno e reciprocidade. A compulsão por fotografar quase tudo o que vejo acabou por criar um enorme arquivo com imagens latentes, que agora se combinam e se multiplicam, como em jogos de espelhos que podem se estender ao infinito.