Vanessa Nascimento Oliveira  |  Ubatuba, SP

O espelho do céu

O encontro com a imensidão. A partir do isolamento social, pensar a fotografia como ferramenta para o conhecimento de si mesmo, e os celulares como espelho/miragem do humano. Utilizando analogias acerca da orixá Oxum, cultuada na Umbanda e no Candomblé no Brasil e também na Nigéria. Oxum carrega um Abebé, que é um objeto de latão polido muito semelhante a um espelho com moedas penduradas para fazer um som evocando à riqueza e prosperidade. É um orixá da fertilidade, tendo as águas doces como seu elemento primeiro, o que remete, certas vezes, ao líquido amniótico durante a gestação, mas não somente em relação a uma nova criança, pode ser também na fertilidade da ideias, na geração de algo novo, novas oportunidades e criatividade. Muito a confundem no aspecto do espelho, remetendo a vaidade e ao narciso, porém Oxum, apesar de acolher com amor seus filhos, os confronta com seus "demônios" mais profundos, um mergulho dentro das profundezas dos nossos próprios rios para uma constante renovação, revisão e adaptação, o que reflete em algumas das fotografias : no desague ao mar e nos céus cinzentos em busca de pontos de luz. Seus rios correm junto aos céus e às margens das matas, ou algumas vezes no concreto, soterrados abaixo de prédios , rumo ao mar, com leveza e coragem, apesar de tudo, mesmo sem saber até onde chegará ou o que está pela frente. Nesse sentido Oxum é o espelho em minhas fotografias. Nas fotos temos a visão de alguém que estaria mergulhado nas águas olhando para os céus. Importa saber qual a visão nossos rios internos terão ao longo do caminho, se a imensidão dos céus ou assoreados em nossos dores. O rio nos olha de volta!