Mateus Morbeck  |  Salvador/BA, Brasil,, BA

Realejo

Realejo, 2020 Para George Orwell “Quem domina o passado domina o futuro; quem domina o presente domina o passado”, em sentido complementar, para Ariella Azoulay “a fotografia é uma tecnologia de extração, como muitas outras tecnologias” (...) “Explicar a fotografia com base na narrativa de seus promotores é como registrar a violência imperial nos termos daqueles que a exerceram, declarando que eles haviam descoberto um ‘mundo novo'”. Nesse cenário, permeada por questões de representação e representatividade, a série convida ao debate acerca da construção e uso das imagens como elementos de comunicação e persuasão a serviço das estruturas de poder dominantes. As quais sempre lançaram mão das mais diversas ferramentas e tecnologias para contar histórias e transmitir preceitos alinhados à sua ótica própria. Assim, como reflexo das relações humanas, o trabalho acontece a partir da sobreposição de imagens de rostos, representados em painéis azulejares portugueses, com fotografias da vida cotidiana contemporânea. Ancorado em vestígios do tempo passado no presente, “Realejo” não se encerra em si mesmo, buscando oferecer perguntas ao invés de respostas. Nada é uma coisa só.