Yukari Moreira  |  Marabá, PA

(DES) CONSTRUINDO A CIDADE, PROJETANDO O FUTURO.

As cidades, com o ritmo desenfreado da exploração de riquezas, vem expandindo-se, e nunca param. Essas fotografias são reflexos do velho e do novo, da tradição e da construção, da desconstrução e invasão, porque tudo surge da água, até mesmo quando refletimos o céu, estamos vendo o futuro. As fotografias em questão são de uma cidade amazônida, que tem minas, pescadores, operários e ambulantes, crianças e velhos, e todas foram feitas nesse período do novo coronavírus, captando as cores, as vivências e experiências das pessoas. Venho dedicando a fotografia do cotidiano, de diferentes perspectivas, e que eu esteja ali, passando, sem ser notado, registrando a espontâneidade, o sofrimento, o (des) constructo social e histórico. A prédio cai, as águas se acalmam, os espelhos quebram, as imagens do reflexo são passageiras, contudo, só a fotografia pode eternizar o tempo, trazer lembranças e construir um texto histórico através da imagética. O projeto traz muito disso, de como o reflexo, que coincide com o tema proposto, pode está a esconder um mundo inteiro: o barco na água, que está indicando a vida do pescador (os peixes do rio); o trem no trilho, que reflete no chão o qual é extraído o minério; as crianças brincando: refletindo na poça na areia, onde fazem dali sua pueridade; os animais reconhecendo sua imagem no reflexo: o autoreconhecimento de si mesmo. E tudo reflete para o futuro, as crianças que irão trabalhar, o rio que vai e vem, inunda casas, desabriga e alimenta, ao mesmo tempo. Tudo isso está por trás dessas fotografias .