anna  |  sao paulo, SP

Samambaia, 458

O projeto "Samambaia, 458" explora a ambiguidade de como um lugar que nos acolhe pode ser também um lugar desconhecido e de estranhamento. A casa em que as fotografias foram feitas não era apenas a casa da minha avó. Eu sabia que ela era minha, que eu também pertencia àquele espaço. Por muito tempo, eu me dirigia a ela em busca de proteção e refúgio. Depois de tantos anos, a vida me levou a esse lugar novamente, a essa casa cheia de familiaridade. Mas dessa vez, não nos reconhecemos. Por mais que ela continuava sendo a mesma, eu estava perdida em quem eu era, e assim quis mudá-la, tirar os quadros, os tapetes, a poeira... Retirar todas as camadas de objetos e memórias que estavam impregnadas ali, como se a casa pudesse ser um reflexo das transformações pelas quais eu estava passando. Eu queria ver o que tinha atrás da parede, atrás da sombras e das luzes que se projetavam pelo espaço. Queria levantar todas as superfícies e ver o que restava de nós. Comecei, então, a buscar de novo o meu refúgio por meio da fotografia. A câmera atestava que a casa estava ali, em torno de mim e dentro de mim.