JAQUELINE  |  Rio de Janeiro, RJ

Reflexo das redes.

Hoje em dia vivemos conectados uns com os outros por meio das redes sociais e é de consenso comum que nem sempre a imagem que projetamos nessas plataformas mostra a realidade sobre quem somos na vida real. Existem estudos como o da Royal Society for Public Health, instituição de saúde pública do Reino Unido, que comparam as mídias sociais com outros vícios e apontam o Instagram como a mais nocisa dentre todas que fizeram parte dessa pesquisa. O Instagram é uma rede social composta, em sua maioria, por fotos que mostram um ideal de estilo de vida a ser seguido, sempre com pessoas felizes, lugares interessantes e coisas do gênero. Por mostrar apenas o lado positivo da vida das pessoas, é o principal causador de danos psicológicos como a depressão, pois nem sempre estamos felizes e esse tipo de plataforma cria uma obrigação de nos apresentarmos sempre de bem com a vida. Com o intuito de fazer uma crítica sobre esse assunto, busquei por meio da fotografia de performance registrar de forma mais intíma, utilizando um espelho, cenas que demonstram o sentimento de falsa felicidade e a necessidade de esconder as sensações reais. Me baseei princialmente no texto apresentado em sala de Michael Poivert “Notas sobre a imagem encenada, paradigma da fotografia” que trata do tema da estética encenada. Apresenta principalmente o entrelaçamento da fotografia, pintura, perfomance e teatro, citando o tableaux vivant e o pictorialismo. Um dos trechos que inspirou o trabalo e ilustra essa relação é: Através daquilo que chamaremos por enquanto de conjugação de tableau vivant e da fotografia, é toda a questão da teatralidade na fotografia que toma corpo historicamente e muda a visão habitualmente admitida de um arcaísmo dos primeiros tempos da fotografia, para perceber na fotografia interpretada um modelo estético antinaturalista. (POIVERT, 2016, p.104) Busquei em todas as fotos trazer uma ambiguidade de sentimentos, abusando da edição como linguagem para criar um universo que brinca com a questão do que real e imaginário. Em algumas fotografias nota-se também a vontade de libertação desse estado letárgico. Em suma foram tiradas em uma uníca locação com apenas uma modelo, a qual aprece mais de uma vez na mesma foto. O processo de edição durou cerca de 6 horas sem intervalos. O objetivo foi criar na mesma velocidade que são gerados os conteúdos das redes sociais, sempre nos bombardeando com informações e anúncios, nos tornado dependentes de informações em tempo real e facilidades. Outro ponto exaltado nas fotos foi a teatralidade para referenciar o que muitas vezes acontece com as poses que vemos nos aplicativos. A disciplina foi um divisor de águas por desmitificar a ideia que possuímos sobre performance e dar a chance de experimentar na prática os conceitos abordados, o que contribuiu para a assimilação do conteúdo e para a familiarização com os equipamentos e recursos fotográficos, os quais apoiaram a criação desse projeto.