Jota Barbosa  |  Afuá, PA

Reflexos da água

Através deste projeto, quis retratar o cotidiano da cidade ribeirinha de Afuá, que fica na região Amazônica, no estado do Pará e a relação de seu povo com a água. A cidade é diferente de todas as outras do mundo. Aqui não tem carro nem moto, aliás é proibido por lei veículos motorizados em suas ruas. As ruas de Afuá, na verdade, sao pontes em madeira e algumas em concreto. Na cidade só é permitido andar a pé ou de bicicleta. A cidade é erguida sobre palafitas por que sofre constantes alagamentos. Durante o inverno amazônico, o nível da maré sobe bastante e alaga a cidade, mas o povo já está acostumado a conviver com as águas. Apesar das cenas impressionantes, a água produz reflexos, a população de Afuá aprendeu, desde criança, a conviver com as águas. O povo vive em harmonia com a natureza. Afuá vive um cotidiano interessante, pois apesar de a água inundar a cidade, não muda em nada a rotina da população que continua sua vida normalmente. As lojas continuam funcionando, as pessoas continuam andando pela cidade como se nada estivesse acontecendo. Esse são os reflexos da água na vida dos moradores, que passaram a não temê-la, mas sim aprenderam a conviver com ela. A água se reflete no cotidiano dos moradores, é ela quem dita as regras, principalmente na zona rural. Na cidade, ela alaga as casas, escolas, igrejas, mas aqui não é tragédia, é diversão. Enchente aqui é motivo de festa e não muda em nada a rotina da população. É estranho imaginar uma situação assim, mas é normal para quem vive em Afuá. Na zona urbana e na zona rural o povo aprendeu a conviver com a água, esses são os reflexos da água na cidade de Afuá.