GISELE MARIA NUNES MARTINS  |  São Paulo, SP

À Margem

Retratei a vida em comunidades ribeirinhas no Marajó, maior arquipélago fluviomarinho do mundo, situado na Amazônia brasileira. Grande parte de sua população, uma das mais pobres do País, vive na área rural, tendo como principais vias de acesso os rios e igarapés que cortam a região. Busquei, principalmente, o elemento humano na monumental paisagem amazônica, numa região de natureza exuberante mas com pouca infraestrutura, em que a dificuldade de acesso é ainda persistente. Hospedando-me na casa dos ribeirinhos, o contato cotidiano com as comunidades locais me possibilitou obter registros mais íntimos, frequentemente através de espelhos. A pesca, os produtos da floresta, a agricultura de subsistência e a criação de pequenos animais garantem a sobrevivência da população local. A vida corre integrada ao ritmo das águas. Há vida em família e em comunidade, mas também isolamento, desamparo e falta de perspectiva. Os olhares contemplativos ou perdidos através de portas e janelas são um forte indício de um tempo que passa devagar e que, muitas vezes, se traduz em tédio.