pierre georges gabriel crapez  |  NITEROI , RJ

SKYLINE; REFLEXOS URBANOS

As cidades, espelhos de culturas e modos de vida diferentes, tiveram nessa pandemia suas dinâmicas, ritmos e paisagens mudados drasticamente. Em todos os países esvaziaram-se, transformando-se em espelhos cegos, sem rostos, com ar de solidão. No entanto, esse acontecimento revelou paradoxalmente nossa interdependência global e denunciou a fragilidades dos nossos modos insustentáveis do viver juntos. Hoje estamos mais conscientes do que pertencemos a uma aldeia global e somos desafiados para assegurar um futuro que possa acolher nossas diferenças, bem como desenvolver esse sentimento de pertencimento a uma mesma espécie, fazendo da cidade o espelho de nossa(s) humanidade(s). Neste ensaio escolhi trazer fragmentos refletidos em “espelhos” (poças d´água, janelas, vitrines ou mesmo murais) capturadas em várias cidades nos quatro continentes: América (NY, Rio), Europa (Paris, Nice), África (Marrakech), Ásia (Nova Deli, Agra). São recortes-fragmentos, fractais dessas totalidades complexas que são as cidades e através dos quais deciframos as singularidades e características de cada uma, revelando matizes, dinâmicas, escalas, valores, crenças e sonhos distintos, mas que reafirmam que Vida é unidade na diversidade. O conjunto das fotos se organiza em uma instalação, fotos montadas sobre acrílico (sem molduras) numa prateleira de espelho, de modo a desenhar o contorno de um skyline urbano. Se “toda poética consiste em transformar a matéria do mundo em uma matéria que quer sonhar” (Bachelard), então meu projeto evoca o skyline de uma Cidade Total erguida sobre a Terra, a morada cósmica de todos nós onde vivemos debaixo do mesmo céu. A palavra inglesa Skyline refere-se ao horizonte artificial que a estrutura geral de uma cidade gera, ou, em português, panorama urbano. Wikipédia,