Isis Gasparini  |  São Paulo, SP

Diáfano

“Diáfano” se refere a um corpo parcialmente atravessado pela luz, mas que não permite ver claramente o que está além dele. Este trabalho busca os acidentes da luz em museus históricos, quando traem as condições supostamente ideais de visibilidade de uma obra de arte.  Essa é uma pesquisa iniciada em 2014, quando participei do programa de Residência Artística na Cité Internationale des Arts, em Paris. “Diáfano” percorreu, desde então, diversos museus históricos na Europa naquela período, e também na América do Norte e Brasil nos anos seguintes.  . O museu se afirmou historicamente como um destino natural para imagens e objetos. Um espaço funcional dedicado à arte que acaba por gerir a missão ambígua de atrair grandes públicos e resguardar as obras. Se a exuberância do edifício e da paisagem são parte dos atrativos ao público, as condições de visualização das obras exigem uma modulação delicada dos elementos arquitetônicos, dos recursos expográficos e das diretrizes institucionais. É preciso filtrar a luz, evitar reflexos, esmaecer a paisagem; é preciso orientar o corpo, demarcar pontos de vista, impor certas distâncias. Por fim, é fundamental silenciar traumas acumulados por políticas culturais colonialistas e eurocêntricas para que uma história da arte seja contada de modo fluido e apaziguado.