José Lucas Torres de Oliveira  |  Brasília, DF

escola_em_casa

A lousa virou paint e o pincel atômico se tornou mouse e teclado, da sala ampla para um celular menor que a mão. Do ônibus pra escola, do Wi-Fi pra plataforma. Mesmo ainda matriculado, o passe livre bloqueado. A conexão instável, cadê a internet móvel do estado? A amiga que não posso mais ver e o ano que não posso perder. Esse é um reflexo do agora, sobre escola e seus atravessamentos em meio a pandemia de covid-19. Tendo “escola_em_casa” como nome, propõe uma relação com a plataforma da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal chamada “Escola em Casa DF“, sala virtual criada para que seja possível de forma virtual proporcionar a continuidade das aulas interrompidas pelo surgimento do novo coronavírus, já as duas “underlines” (_) ou “subtraços”, são símbolos gráficos usados em comunicações informáticas, onde o espaço não é interpretado como uma informação válida, dessa maneira, remetendo não somente a utilização e dependência dos meios tecnológicos no momento atual mas também a substituição de espaços físicos por espaços virtuais. Enquanto estudante do 3° Ano do Ensino Médio registrei de forma virtual e presencial elementos que indicam a passagem da pandemia de covid-19 nas escolas da rede pública de ensino do DF, não exclusivamente a solidão das escolas, mas também as dificuldades vividas, desigualdades na educação que surgem com mais força, juntamente com provas presenciais pandêmicas, como o Enem, dedicação, esforço e o cuidado por parte do corpo de profissionais de cada instituição que arriscam suas vidas para trabalharem presencialmente, entregas de atividades impressas, construções para higienização das mãos, doações de equipamentos eletrônicos, cestas verdes e principalmente, resquícios de rastros de estudantes, e marcas que deixaram antes de 23/03/2020 quando o isolamento social horizontal no Distrito Federal foi decretado. São registros virtuais, printscreens, um pouco de vídeo-performance, gravações de aulas, relatos de colegas e lembranças de um passado presencial, ensaios virtuais, juntamente com fotografias verticais, unidas em pares formando uma imagem horizontal, logo remetendo aos decretos de isolamentos verticais que geraram isolamentos sociais horizontais. As composições de elementos das fotografias refletidas em duplas, estão sempre de alguma forma em comunicação, induzindo à reflexão. Todas elas contém, cores e luzes em abundância muitas vezes jogadas em um ambiente vazio que brilham como nossas esperanças para que no futuro o fim da exaustão e desse atravessamento chegue.