Bernardo Freitas  |  Petrópolis, RJ

Chove, reflito. Depois, reflexo.

Fotografo reflexos em poças d'água. Me fascina perceber que em dias chuvosos, temos uma tendência a nos sentirmos tristes, introspectivos e, sobretudo, nostálgicos. Porém, esse sentir que muitas vezes associamos ao "negativo" é o que permite a sensação de libertação, euforia e prazer quando a chuva cessa, especialmente quando o sol sai, nos aquecendo e permitindo que a vitamina D aja em nosso corpo. E esse reflexo da natureza em nós - que também somos parte dela, apesar de tanto negarmos - é o que eu gosto de observar no rosto das pessoas, no balançar das árvores, no canto dos pássaros e na beleza dos reflexos que tanto fotografo. Meu projeto é, antes de tudo, um reflexo de mim mesmo, projetado naquelas poças, que por sua vez refletem a realidade. É um esforço para observar o mundo em sua essência, e não como eu acho que o vejo; ainda que seja um esforço em vão. A tentativa é o que importa.