Nanda Godoy  |  Rio de Janeiro, RJ

tutti addio

tutti addio - tudo que havia sido - são todos os adeus. é um poema em fotosérie que se propõe numa apresentação em slides através de projeção. são fotos-poemas de uma lembrança - ou esquecimento. fala de uma terra de ancestrais que resistem em algum lugar da memória ou do inconsciente que surge enquanto sonho. memória e sonho são feitos do mesmo material. é o silêncio de tantos adeus. é uma terra outra, uma pátria ancestral, um solo de barro vermelho. uma floresta de eucaliptos evoca a morte, pois o solo torna-se venenoso para qualquer outra espécie, nada mais cresce. como a desesperança, o fim. e até que ponto uma floresta morta de eucaliptos não evoca todos os mortos que vamos deixando pelo caminho? tutti addio é o reflexo de todo adeus. é o silêncio de todo adeus. adeus de tantos mortos. adeus do que morre cotidianamente na vida. adeus do dia que morre em todo entardecer. sonho - vigília. lembrança - esquecimento. consciente - inconsciente. dia - noite. vida - morte. ciclos sem fim.