Paula Faraco  |  rio de janeiro, RJ

Depois da Vida

O meu projeto é sobre a morte, mas também sobre a vida. É sobre a morte refletida na vida e sobre como nós lidamos com ela. A morte começou a fazer parte da minha vida desde cedo, quando aos nove anos, eu perdi o meu avô paterno. Alguns anos depois, sua mulher, minha avó. Uma década depois os avós paternos se foram; e em 2006, o meu pai. Dessa forma, a morte é, para mim, um reflexo da vida, algo que faz parte e que, muda o curso do nosso destino a cada vez. A morte do meu pai refletiu em mudanças bruscas tanto na minha vida quanto na da minha mãe. É triste dizer, mas foi para melhor. O projeto entitulado "Depois da Vida" (AfterLife em inglês) começou em Berlim, Alemanha, em 2015, enquanto eu morava na cidade. Minhas caminhadas pelos cemitérios despertaram um desejo de honrar a vida daquelas pessoas. A possibilidade de explorar uma dupla exposição fotográfica analógica resultou em imagens quase surreais, onde eu acredito ter conseguido promover o encontro entre a natureza e a vida humana- aquela depois da vida. A minha intenção era conduzir o espectador a uma dimensão de reflexão sobre a vida e a morte. Enquanto a natureza representa a vida, as estátuas e monumentos representam a morte. A composição de duas imagens uma sobre a outra cria uma atmosfera misteriosa de sonhos poéticos tristes e melancólicos. Fotografar em cemitérios me permitiu entrar em contato com memórias do passado. Os cemitérios de Reykjavik (Islândia), Lausanne (Suíça), Milão (Itália) e, por fim, o cemitério do São Francisco Xavier, Caju, também fazem parte do projeto que terminou esse ano, mais precisamente no mês de fevereiro quando eu, pela primeira vez, fui visitar o túmulo de meu pai. Foi com grande emoção que fotografei seu túmulo, onde ele reside com seus pais. Técnica: fotografias preto e branco, analógica, médio formato 120mm.