Valdimere Pereira de Souza   |  São Paulo, SP

Nau Frágil

Nau Frágil foi uma pesquisa realizada durante a residência do Instituto Sacatar- Itaparica Bahia (2018), neste experimento me uno a três artistas negros o: documentarista Ahmad Mahmoud (Sudão), a bailarina Amara Smith (Estados Unidos) e a poeta Victoria Adukei (Reino Unido) para realizar um ensaio fotográfico.Como resultado tenho uma série de 12 fotos que buscam o gestos contidos em retratos de família e álbuns. O nome Nau Frágil é uma figura de linguagem usada para deslocar o conceito de memória ora tratada como algo que se perdeu (naufrágio), quanto aquilo que é delicado e portanto necessita de cuidado (nau frágil). Nau Frágil tem como evento fundante possíveis desdobramentos da vida e trajetória de uma família negra ao desembarcar do Amável Donzela um dos navios que realizavam tráfico de pessoas entre 1788 a 1806. Neste sentido, a tentativa de provocar uma ficção que considere essas sujeitos e suas narrativas como extemporais nos ajudam a re interpretar as questões de memoria, ao mesmo tempo que os deslocamentos da dispersão e diáspora africana realça o conceito africano de Ubuntu, de maneira resumida entendida por sou porque somos, a história nesse sentido depende do outro . Afinal o que pode haver de semelhanças entre Sudão e Bahia? ou reino Unido e Estados Unidos? Essa pesquisa é atravessada pelos estudos da literatura, da filosofia, dos estudos culturais e de um forte interesse pela história e iconografia das mulheres negras.