Nathalia Bezerra  |  Maceió, AL

Rasgar as maçãs

Rasgar as maçãs é uma aposta no ato da mordida ou na tentativa de tocar algo disso que seduz, atrai ao mesmo tempo que repele, escadaliza e insiste. As maçãs sempre foram associadas ao pecado e, nesse sentido, o pecado sempre esteve do lado da mulher ou àquelas que de algum modo tocam em algo do feminino. O que do feminino se reflete nessas narrativas, o que está escondido, intocável? A margem, entre mundos, um pé cá e outro lá! Rasgar as maçãs é uma forma de romper os véus, devorar o fruto que faz furo atravessando a ideia de castigo e abrindo espaço para o nascimento de outros mundos, outras narrativas. Um feminino que cria e recria-se permanentemente: as maçãs como reflexo do que não se vê, como algo do impossível de ser retratado ou descrito. Essa série fotográfica parte do desejo de ressoar algo desse ponto de enigma do feminino. Nesse sentido, constitui-se como parte das pesquisas e investigações para IACI MULHER, com direção artística de Francielle Alves e direção fotográfica de Nathália Bezerra.