fe avila  |  São Paulo, SP

no encontro tudo se dilui

Como experimentar a solidão de forma coletiva? Como se encontrar sem o corpo? A luz lá de fora ofusca a vista e impede de sair, o corpo se retorce e não se acostuma com a imobilidade. Esta série foi uma tentativa de tornar possível o encontro durante o isolamento social por conta pandemia em 2020. Busquei pela sobreposição de olhares e enquadramentos, em um experimento de fotografar com a câmera analógica a tela do computador, como mecanismo que tornou possível se deslocar e adentrar a casa dos artistas, ainda que à distância, criando assim um espaço de intimidade e troca. A mistura dos grãos do filme com os pixels de luz da tela do computador me faz pensar no encontro como possibilidade de se diluir na outra pessoa, de sair de si e se transformar. Investigo a performance de quem fotografa e de quem é fotografada, e a prática de fotografar como encontro, como um exercício de se lançar no abismo do outro e do inesperado. Em cada imagem foi construída uma narrativa e uma pesquisa a ser narrada, em conjunto com a pessoa fotografada. Foram utilizadas referências e homenagens a artistas como Francesca Woodman, Edward Hopper, entre outres. As imagens desse trabalho foram feitas durante 28 encontros com mais de trinta pessoas que toparam colaborar. Nessa seleção, aparecem em cena: Marina de Moraes, Teresa Moura, Kelton Campos, Mãe Bia, Gracie Monteiro, Raphael Buongermino, Fabiano Rodrigues, PH Veríssimo, Ana Veríssimo, Danilo Patzdorf, Sophia Pinheiro.