Rosilene Souza  |  Belo Horizonte, MG

distraídos olhares

No meio do caminho tinha um, dois, três, ... reflexos. Estes nos instiga a observar as imagens que surgem nos mais variados formatos, lugares e suportes espalhados pela cidade. É como se fosse uma tatuagem efêmera que dilacera o tempo, por um curto período de tempo. Nos instigando transver o mundo através do olhar. Assim, surgiu a série “distraído olhar”, fruto das minhas imagéticas derivas. Derivas estas que acostumava realizar pelas ruas da cidade que moro. Derivas que me instigavam perceber/olhar/ver o entorno com olhos ao mesmo tempo atentos e distraídos. Distraídos por captar as sutilezas apresentadas pelas preciosidades encontradas pelo caminho. Assim, passei a registrar com a luz esses reflexos poéticos expressos espontaneamente nos naus diversos lugares. Reflexos estes que muitas vezes passam invisíveis pelos olhos apressados do cotidiano. Olhos que olham e não vêem, o fragmento de um prédio refletido numa poça d’água, após uma chuva; ou a sobreposição de varias imagens criando ou recriando realidade(s), na janela de um museu; ou ainda a junção de diversos reflexos criando uma composição surreal no corpo de um transeunte. Assim, temos ao nosso dispor uma gama de imagens retratando e refletindo as mais variadas situações do dia a dia. E o mais interessante é que estão disponíveis para todos contemplarem, basta estarmos atentos ou quem sabe desatentos. Desde então passei a pesquisar e registrar estas preciosidades encontradas a deriva.