heitor fernandes  |  Belo Horizonte, MG

Diário Fotográfico: Corpo Confinado

As fotografias que envio fazem parte de uma seleção da série "Diário fotográfico", fotos que tiro desde 2017 compostas por autorretratos borrados pelo movimento. Registro, então, o corpo queer, que mesmo manchado por suas vivências busca outros corpos nestes borrões. Durante a pandemia do coronavírus, tenho fugido energicamente deste micro pedaço de natureza, recusando quaisquer novas marcas em mim, esquecendo que já me tornei mancha. Não existe escape total, nem as minhas paisagens oníricas estão imaculadas, mas sigo suplicando pela vida em frente a política de morte do país. As fotografias são retratos tirados, neste último ano, da minha presença que foi abruptamente limitada e tomada por um estado de total vigilância; é como eu me percebo diante da vida e da dor.