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Bruna Maria dos Santos  |  Mogi das Cruzes, SP

A água não se foi.

A chuva não é passageira, pois ela se aloja na superfície do concreto sólido que não a deixa fluir. A água não se foi, ela continua presente em cada canto da cidade. Ela não pode ir, o homem não deixa, cada vez que uma área ambiental é desmatada e um edifício é levantado, a água perde cada vez mais o seu direito de ir e vir. Essa repressão as vezes age em forma de betume espesso, mas também aparece em forma de mistura de cimento, areia e água. Ela não se vai e o único meio que ela encontra de se isolar é por baixo das ruas, nos canos e nos esgotos. No entanto, quando ela chega lá, ela não é mais a mesma. Ela já foi muito usada, maltratada, desperdiçada e sujada, a ponto de que não lhe resta mais nem forças para promover a vida de pequenos hospedeiros que geralmente circulam por ela. E ali ela fica. A água não se vai. Ela vira corpo morto por baixo dos nossos pés e lá fica até conseguir chegar na periferia e arrumar seu sepultamento em meio aos rios poluídos entre as casas do morro. Sobre isso que meu projeto fala, essa realidade que precisa ser trazida à tona, para que a água possa ter um pouco da sua liberdade de volta.